Saiu devagando à noite, andando em pedaços.
Sua cabeça girava, apesar dos curtos passos.
Rondava o inevitável.
Era triste.
As luzes dos postes refletiam sobre sua face úmida.
Se continuasse naquele ritmo ia inundar a cidade.
Inundava tudo.
Menos o coração seco dele.
Estava certa de sua insatisfação, e do seu destino.
Não, não podia ser. Neurose e angústia. Ah! Tudo é angustiante.
Gritou.
Mas ninguém ouviu.
A cidade estava vazia. Carnaval.
A idéia da mudança a animava.
Mas o medo tava lá! Pra deixar seus pés bem presos ao chão.
O que ela não sabia é que tava preso demais. Nem conseguia se mover.
Tão presos que caiu
De cara no bueiro.
Daniela Machado

2 comentários:
Núúú!! Forte...
Ei Dani! Gosto do que escreve. Não importa se há melancolia. Sei bem o que quer dizer...Vai em http://alexandre-pontodefuga.blogspot.com/ e veja uns textos meus também. Abração.
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