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segunda-feira, 14 de abril de 2025

Quando fui amor e virei silêncio

em dezembro eu fui.

atravessei um oceano com o coração nas mãos.

fui sem certezas, sem trabalho,

mas com toda a vontade de estar.


fui porque me pediram presença.

mas quem ficou sozinha fui eu.


me doeu a ausência onde eu esperava cuidado.

me doeu ser lida como carência,

quando o que eu carregava era coragem.


me contaram depois que meu amor foi narrado como exagero.

pra outra pessoa.

que nem fazia parte da minha entrega.

e eu, que fui inteira, virei piada.


não é sobre ciúmes.

é sobre respeito.


não é sobre drama.

é sobre não ter sido vista.


e mesmo assim,

mesmo sem colo,

sem nome,

sem reconhecimento —

eu ainda me orgulho de quem fui.


porque ser amor, mesmo sem retorno,

é força.

não fraqueza.