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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O dia em que pulei do 30º andar


Saiu devagando à noite, andando em pedaços.

Sua cabeça girava, apesar dos curtos passos.

Rondava o inevitável.

Era triste.

As luzes dos postes refletiam sobre sua face úmida.

Se continuasse naquele ritmo ia inundar a cidade.

Inundava tudo.

Menos o coração seco dele.

Estava certa de sua insatisfação, e do seu destino.

Não, não podia ser. Neurose e angústia. Ah! Tudo é angustiante.

Gritou.

Mas ninguém ouviu.

A cidade estava vazia. Carnaval.

A idéia da mudança a animava.

Mas o medo tava lá! Pra deixar seus pés bem presos ao chão.

O que ela não sabia é que tava preso demais. Nem conseguia se mover.

Tão presos que caiu

De cara no bueiro.


Daniela Machado

2 comentários:

Anônimo disse...

Núúú!! Forte...

Alexandre disse...

Ei Dani! Gosto do que escreve. Não importa se há melancolia. Sei bem o que quer dizer...Vai em http://alexandre-pontodefuga.blogspot.com/ e veja uns textos meus também. Abração.

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