em dezembro eu fui.
atravessei um oceano com o coração nas mãos.
fui sem certezas, sem trabalho,
mas com toda a vontade de estar.
fui porque me pediram presença.
mas quem ficou sozinha fui eu.
me doeu a ausência onde eu esperava cuidado.
me doeu ser lida como carência,
quando o que eu carregava era coragem.
me contaram depois que meu amor foi narrado como exagero.
pra outra pessoa.
que nem fazia parte da minha entrega.
e eu, que fui inteira, virei piada.
não é sobre ciúmes.
é sobre respeito.
não é sobre drama.
é sobre não ter sido vista.
e mesmo assim,
mesmo sem colo,
sem nome,
sem reconhecimento —
eu ainda me orgulho de quem fui.
porque ser amor, mesmo sem retorno,
é força.
não fraqueza.

Nenhum comentário:
Postar um comentário